Aqui é o ponto de encontro de todos os que gostam de ler, de falar de livros, de ilustrar as passagens preferidas, de partilhar leituras…
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“Ler é sonhar pela mão de outrem.” Fernando Pessoa
publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Sábado, 26 Maio , 2012, 10:34

ECOS DE LEITURAS

 

LIÇÕES DE CRIANÇAS PARA ADULTOS

Recebi este livro escrito por John Boyne no Natal e, na verdade, o título não me atraiu muito, mas a capa era apelativa. Dois rapazes completamente diferentes: um, bem vestido, com cabelo bem tratado e sentado na relva bem cuidada; o outro, com uma espécie de pijama, careca e sentado num solo arenoso. Ambos separados por uma enorme vedação de arame farpado. Parecia até que, do lado da vedação onde se encontrava o rapaz do pijama às riscas, o céu era cinzento e reinava a tristeza e a solidão.

Li o livro e, apesar da revolta e da angústia que iam crescendo em mim, adorei o texto, porque retrata extremamente bem os horrores, a crueldade do Holocausto, através da inocência de dois rapazes completamente diferentes, de lados opostos. Além disso, o livro também evidencia o valor da amizade.

Bruno é um rapaz de nove anos que vive numa luxuosa mansão em Berlim com os seus pais e a sua irmã mais velha. Tem uma vida normal e descomplicada, própria de um rapaz da sua idade cujo pai tem grande prestígio na sociedade alemã, por ser um comandante nazi.

Certo dia Bruno descobre que vai ter de mudar de habitação com o resto da sua família. Fica muito desiludido e tenta persuadir a mãe a ficar em Berlim, mas sem sucesso.     

Quando vê, pela primeira vez, a sua nova casa, nem consegue acreditar que vai morar ali. É uma casa isolada, pequena, o oposto da casa em Berlim. E o pior de tudo para Bruno é o facto de não existir nada para fazer, nenhuma criança com quem brincar, exceto a sua irmã, três anos mais velha que ele, e, como qualquer irmã adolescente, não lhe liga nada.

Mas há uma coisa na sua casa nova que o deixa num misto de espanto e de insegurança… A paisagem que vislumbra da janela do seu quarto é, num primeiro olhar, bastante agradável: um grande jardim muito bem cuidado, com um banco, uma área envolvente bastante bonita. Contudo, observando com mais minúcia, um pouco mais à frente o panorama muda de figura e uma enorme vedação de arame estende-se até perder de vista. Do outro lado do arame, o chão é arenoso e seco, existem uns barracões espalhados por toda a área e ainda se conseguem avistar uns montes fumegantes. Estranhamente, todas as pessoas que residem do outro lado da vedação usam um pijama às riscas.

Bruno adora fazer explorações e, uns tempos depois, cansado de estar em casa sem nada para se entreter, decide ir explorar a vedação, apesar de não ter permissão para se aproximar desta.

Depois de algum tempo a caminhar, exausto e esfomeado, decide regressar a casa e encerrar as explorações, mas nesse momento Bruno vislumbra um pequeno ponto ao longe e vai ao encontro dele. Quando já está suficientemente próximo, descobre que, na verdade, é um rapaz que se encontra sentado do outro lado da vedação e usa um pijama às riscas, vestuário comum a todas as pessoas daquele lado da vedação.

Bruno aproxima-se cautelosamente e repara que o rapaz é muito magro, além de estar descalço, ter uma expressão muito triste e uma cor de pele estranhamente cinzenta.

O rapaz diz-lhe que se chama Shmuel e, a partir desse momento, Bruno vai visitá-lo todos os dias, levando-lhe algo para comer, ignorando que é a única comida que ele come, que Shmuel é maltratado física e psicologicamente, que ninguém é feliz daquele lado da vedação, que os montes fumegantes que distingue da janela do seu quarto são, na realidade, montes de corpos a arder, que é o melhor amigo de uma pessoa que, segundo as leis do regime Nazi, deveria odiar e desconhecendo que aquele lugar horrível, onde são infligidas crueldades impensáveis a adultos, crianças e idosos, só por causa do ódio de um psicopata, é dirigido pelo seu pai.

No fim, Bruno e Shmuel acabam por morrer, e os leitores interrogar-se-ão: "Os dois?! O Bruno, também?! Quanto ao Shmuel, já era previsível, mas o filho de um comandante nazi?!...".

Bruno podia ser filho de um homem mau e desumano, mas tinha um coração puro e morreu para ajudar o seu melhor amigo, ignorando barreiras, linhas divisórias, lados opostos, separações, as ameaças do “arame farpado”…

Mais uma vez, as crianças dão belíssimas lições aos adultos… Que pena estes nem sempre estarem dispostos a aprender!

 

Ana Filipa Gonçalves Lopes, 8º 2



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“O prazer de ler e de escrever não é um acto solitário, é uma forma de entrar em relação com o outro, de partilhar uma paixão.” Cláudia Freitas, Leituras Cruzadas
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