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“Ler é sonhar pela mão de outrem.” Fernando Pessoa
publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Terça-feira, 12 Outubro , 2010, 22:07

     Os heróis são feitos de quê? Têm substâncias especiais?

     São perguntas frequentes dos filhos aos pais. Era o que acontecia com a criança, personagem do livro – “Machado dos Santos, o Herói da Rotunda”, de José Jorge Letria.

     No dia 5 de Outubro de 1910, 1500 militares republicanos eram controlados por Machado dos Santos numa rotunda, em Lisboa. Do outro lado, Paiva Couceiro comandava as tropas monárquicas, que eram 7000.

     Apesar das tropas fiéis à monarquia serem em maior número, Machado do Santos dizia: “- Aconteça o que acontecer, venha do outro lado o que vier, daqui não havemos de sair. Sairemos em triunfo ou mortos.”

     Ao fim de umas horas, chegaram tristes notícias, o almirante Cândido do Reis suicidara-se após ter ouvido um dos três tiros de canhão que, na véspera, tinha dado o sinal aos republicanos para avançarem, convencido de que a revolução fracassara.

     Com a morte do almirante e estando as tropas sem comandante, Machado dos Santos decidiu comandar o grupo, ficando conhecido como o Herói da Rotunda.

     A artilharia de Paiva Couceiro estava pronta para derrotar os homens entrincheirados na rotunda, mas um comandante revoltoso trouxera uma boa notícia: o rei tinha partido para o exílio. Os defensores da causa republicana ficaram contentes e dirigiram-se para os Paços do Concelho, onde José relvas anunciou o triunfo da república.

     As pessoas saíram de casa e, pelas ruas e praças, saudavam os militares e civis que ajudaram a implementar a república.

     Machado dos santos criou o jornal “ O Intransigente”, cujo significado era “ pessoa que não cede nem verga”. Ele, Machado dos Santos, era um herói e sinónimo de intransigente. Foi eleito deputado à Assembleia Constituinte em 1911.

     Defensor dos seus ideais até às últimas, passou por algumas situações complicadas, tendo sido preso e deportado. Em 1917, com o Presidente da República Sidónio Pais, foi Secretário de Estado e Ministro. Contudo, após uma zanga com Sidónio, passou para a oposição.

     A 19 de Outubro de 1921, ele e outros nomes importantes do movimento republicano foram levados, de madrugada, naquilo a que se chamou “camioneta fantasma”, numa operação chefiada por um homem conhecido como “ O dente de ouro”, que culminou com o assassínio de vários elementos republicanos, incluindo Machado dos Santos. Tinha 46 anos.

     Para lembrar Machado dos Santos, existe em Lisboa uma rotunda com o seu nome.

Como se pode ver com este exemplo, os heróis não têm que ter poderes especiais, apenas coragem e alguma intransigência na defesa dos seus ideais, quando estes estão correctos, e têm, como fundamento, valores, ideais, no caso de Machado dos Santos, a luta por um regime político melhor.

     Eu gostei muito deste livro e da atitude de Machado dos Santos, que optou por ficar na História, na nossa História de Portugal, como lutador pela causa do bem comum, como alguém que lutou por um país melhor, mais justo.

 

Manuel Augusto Almeida


Jorge Almeida a 13 de Outubro de 2010 às 18:36
Muito bem. Eu não diria melhor. Um resumo muito elucidativo de um marco muito importante da nossa história. Bem feito, preciso e que descreve em poucas plavras o que aconteceu.
um texto bem organizado, tanto nas ideias como na escrita. Parabéns e continua assim, porque os hiróis constroem-se desta maneira.

Jorge Almeida a 14 de Outubro de 2010 às 10:31
olá Manuel.este comentário tem como finalidade corrigir um erro. É heróis que se escreve e não hirois. Às vezes a pressa tem destas coisas...

Hulk12 a 16 de Outubro de 2010 às 21:53
Gosto muito parabens menino Manuel Augusto Almeida


Lídia Valadares a 17 de Outubro de 2010 às 19:18
Parabéns, Manuel! O teu comentário está óptimo. O texto está muito bem escrito e o assunto é oportuno. Além do mais, dá-nos uma belíssima lição sobre a formação de heróis. Penso que todos ficámos a entender de que são feitos.
Obrigada pela tua participação e até breve!

Lídia Valadares

Diana a 15 de Novembro de 2010 às 19:21
Parabéns! O texto está muito bom. Muito bem formado e esclarecedor!
Continua assim!

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