Aqui é o ponto de encontro de todos os que gostam de ler, de falar de livros, de ilustrar as passagens preferidas, de partilhar leituras…
Vamos conversar?
Neste espaço, podemos partilhar com os outros as nossas opiniões sobre livros/textos que apreciamos, leituras que adoramos e, também, conhecer novos livros interessantes. Leste um livro interessante? Então, fala-nos um pouco dele. Vem até aqui, ao nosso PONTO de ENCONTRO, um espaço que gostaríamos que fosse verdadeiramente NOSSO, de toda a Comunidade Educativa.
“Ler é sonhar pela mão de outrem.” Fernando Pessoa
publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Sábado, 04 Setembro , 2010, 00:58

 

A escrita pode surpreender-nos através da conjugação das letras e o resultado pode ser qualquer coisa de extraordinário e enriquecedor na medida em que traz ao nosso conhecimento mais um momento de pura magia e, de quanta mais magia a nossa vida se constituir, melhor será o ambiente à nossa volta.

Podemos imaginar tudo, podemos pela imaginação concretizar o impensável, podemos viver neste mundo e fingir que outro ou outros nos chamam, daí as histórias ou contos, reflexo da necessidade que por vezes sentimos em “fugir” deste nosso mundo e refugiarmo-nos noutros feitos ou imaginados por nós. Um mundo sem confusões, sem pressas, vazio de tudo aquilo que nos causa mau estar.

A escrita proporciona a quem escreve e a quem lê a possibilidade de habitar esses mundos, de conviver com outras formas de ser, estar e pensar e aqui, nestes mundos, ninguém sente o incómodo da crítica, da intolerância ou simplesmente não sente a rejeição de ser. Simplesmente é-se e pronto.

Foi num desses mundos que encontrei um menino especial. Especial para mim enquanto leitor e especial, aliás, muito especial para os habitantes de um pequeno lugar chamado “ Por Um Triz Era no Céu”.

Jeremias, assim se chamava o menino, era especial. Com os seus pés descalços conseguia sentir tudo o que as pessoas que se cruzavam com ele sentiam.

Ao princípio as pessoas estranhavam, mas, com o passar do tempo, foram-se habituando ao Jeremias que, depois de aceite e respeitado por todos, dormia, comia e vivia em todas as casas porque toda a aldeia era a sua casa e todas as pessoas a sua família.

Porém, porque há sempre um porém ou qualquer coisa ao qual o tal porém deve satisfações, tudo vai mudar em “Por Um Triz Era no Céu” com a chegada de uma nova residente. Aos poucos a nova residente foi-se familiarizando com a aldeia até travar amizade com o Jeremias. E num gesto de amizade, Felizarda, assim se chamava a nova residente, ofereceu uns sapatos ao seu novo amigo (Jeremias).

Acontece que, com os seus pés cobertos, o dom parece desaparecer e isso traduz-se na mudança dos comportamentos de Jeremias. Deixou de ligar aos seus amigos, deixou de dormir e comer em todas as casas e não parava de andar. Andou tanto que se afastou da sua terra, já para não falar na sola gasta dos sapatos.

De novo com os seus pés nus em contacto com o chão apercebeu-se que estava longe e que tudo em seu redor lhe era estranho. Sentia saudades da sua terra que era também a sua casa, dos seus amigos, enfim estava perdido.

Na aldeia todos sentiam a falta do Jeremias e este sentia-o e por isso mesmo voltou.

Voltou sem sapatos, descalço e de novo com o mesmo dom que todos lhe conheciam. O mesmo sorriso, a mesma ternura, enfim, Jeremias voltou ao mesmo que era e do qual todos já tinham saudades.

A nova amiga (Felizarda) percebeu porque Jeremias andava sempre descalço e este a diferença entre descalço e calçado…

Conta-se que de vez em quanto Jeremias ainda experimenta os sapatos desfeitos e passeia-se com eles antes do por do sol e que à pergunta: porquê? Ele responde sempre a mesma coisa: “ Porque algumas lições são demasiado importantes para serem esquecidas!”

Esta é a história de “ Os Pés Mágicos de Jeremias” de Susana Cardoso Ferreira e que fala de um dom e tal como diz “ que todos temos… mesmo quando usamos sapatos.”

Por isso, não podemos desperdiça-lo…

 

Jorge Almeida


Lídia Valadares a 4 de Setembro de 2010 às 10:53
Estimado Colega,

Partilho as suas ideias: a escrita e a leitura mergulham-nos em mundos maravilhosos, que nos retêm para pensarmos, reflectirmos e alterarmos algo no mundo em que vvemos. Pois eu também fiquei retida junto do Jeremias, a pensar na sensibilidade dos seus pés mágicos que (por acaso ou não) estavam sempre descalços. Por que razão a nudez dos seus pés lhe daria tanta sensibilidade? Será que, por vezes, usamos "sapatos com solas demasiado grossas"? Eis uma questão que irei explorar com os meus jovens leitores durante o ano lectivo que está à porta.
Obrigada por nos dar a conhecer, através de um comentário maravilhoso, um livro que me parece ser extraordinário. Bem-haja pela sua belíssima mensagem!

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