Aqui é o ponto de encontro de todos os que gostam de ler, de falar de livros, de ilustrar as passagens preferidas, de partilhar leituras…
Vamos conversar?
Neste espaço, podemos partilhar com os outros as nossas opiniões sobre livros/textos que apreciamos, leituras que adoramos e, também, conhecer novos livros interessantes. Leste um livro interessante? Então, fala-nos um pouco dele. Vem até aqui, ao nosso PONTO de ENCONTRO, um espaço que gostaríamos que fosse verdadeiramente NOSSO, de toda a Comunidade Educativa.
“Ler é sonhar pela mão de outrem.” Fernando Pessoa
publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Quarta-feira, 19 Maio , 2010, 22:50

Imagine-se um jardim onde em vez de flores nascessem livros.

Pois bem, a escrita aliada ao seu inseparável instrumento, o pensamento, não conhece impossíveis e, por isso mesmo, o que não vemos como provável no mundo das nossas coisas concretas, nas do pensamento, elas não só são possíveis como também se transformam em concretas. É assim que nascem as histórias. Nelas tudo pode acontecer ou não fosse a imaginação um idílio perfeito para que coisas “estranhas” tenham formas, vida e por imperativo dos seus criadores façam parte da vida de qualquer um, pelo menos daqueles que o desejarem.

Os livros, exímios contadores de histórias, ainda que não falantes, transferem através das palavras mundos de coisas impossíveis que, à luz da fantasia, preenchem pequenos espaços que a realidade não consegue, e neles, nos espaços de fantasia, vamos encontrar múltiplas respostas expressas nas entre linhas de uma boa história, aninhada, a história, em pequenos folhas de papel que juntas se transformarão num bom desígnio, um livro.

O livro que acabei de ler é disso exemplo. Intitulado “ O canteiro dos livros” de José Jorge Letria, da Texto Editores, estabelece entre os dois mundos, o real e o da fantasia, a verdadeira razão de ser de um livro e o que ele pode significar na nossa vida.

Nesta história, para além da sua importância, os livros têm especial atenção pela forma como se apresentam ao Francisco, personagem principal, e a quem os livros aparecem como se de flores se tratasse. “ (…) No canteiro das hortênsias, tinham começado a sair da terra mole pedaços de folhas com palavras impressas e mesmo com algumas lombadas de livros…” (Letria 2006:5)

Apesar do inicial embaraço, Francisco vai perceber através do duende, que entretanto surge por entre as hortênsias, a razão dos livros irem parar ao seu jardim. O seu tio, dono daqueles livros antes de morrer desejou que todos os seus livros ficassem com ele (Francisco). Caso a impossibilidade o obrigasse a recusar, então deveria escolher os que mais lhe agradassem, ficar com eles e dar os outros a instituições, como prisões, hospitais, escolas ou a outros meninos.

Se ficasse com eles, mais tarde, quando fosse “velhinho” e com a ajuda de quem de direito, podia construir uma biblioteca e dar-lhe-ia o nome do seu tio (Bernardo).

O “canteiro dos livros” para além de uma excelente história, é para os mais pequenos, (não só mas principalmente) uma preciosa ajuda para reflexão sobre os livros e a leitura.

Embora ficcionada, esta história alerta-nos para a importância dos livros e para o cuidado que devemos ter com eles, para que de mão em mão, possam passar e transmitir os seus segredos e ao descobri-los, os leitores possam transportar para qualquer lado a riqueza emanada desses tesouros, o conhecimento.

Esta história evidencia uma grande verdade, aquela que o Francisco descobriu e que fez questão de a partilhar:

“Se eu um dia quiser tornar-me escritor, terei de ser, antes de mais nada, um grande leitor, porque um escritor é sempre um leitor de muitos, muitos livros, e se deixar de o ser, acabará também por deixar de escrever, mais tarde ou mais cedo.” (Letria 2006:30-31)

Absolutamente, verdade.

 

Jorge Almeida


Lídia Valadares a 21 de Maio de 2010 às 00:03
Caro Colega e Encarregado de Educação,

Depois de um longo dia de trabalho,ler um comentário como este é altamente revitalizante, é uma espécie de prémio, de presente! Obrigada.
Li, reli e saboreei o texto que escreveu, apreciei a forma e o conteúdo, concordando plenamente com as ideias expressas. De facto, quantos espaços as histórias "aninhadas" nos livros conseguem preencher! Quantos diálogos únicos (cada qual o seu) estabelecemos com eles!
E senti um prazer imenso ao aperceber-me de que aqui, no nosso "Ponto de Encontro", também está a surgir um "Canteiro de livros"! As sementes que vamos lançando estão a germinar e nascem flores-livros fascinantes.
Muito agradecemos o seu precioso contributo nesta gratificante sementeira. Penso que é produtiva.
Parabéns pelo excelente comentário.
Até breve.

Lídia Valadares e Cidália Loureiro

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