Aqui é o ponto de encontro de todos os que gostam de ler, de falar de livros, de ilustrar as passagens preferidas, de partilhar leituras…
Vamos conversar?
Neste espaço, podemos partilhar com os outros as nossas opiniões sobre livros/textos que apreciamos, leituras que adoramos e, também, conhecer novos livros interessantes. Leste um livro interessante? Então, fala-nos um pouco dele. Vem até aqui, ao nosso PONTO de ENCONTRO, um espaço que gostaríamos que fosse verdadeiramente NOSSO, de toda a Comunidade Educativa.
“Ler é sonhar pela mão de outrem.” Fernando Pessoa
publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Sexta-feira, 22 Julho , 2011, 09:30

 

     A arte, nas suas diversas formas, convive e comunica connosco no nosso quotidiano. Impossível ignorá-lo. Assim, podemos estabelecer diálogos maravilhosos e de extrema riqueza com a pintura, com a música, com a literatura, com a escultura, com a dança… Basta, apenas, aprender a linguagem própria de cada uma das manifestações da arte. Tal como aprendemos a ler palavras, textos, também temos de aprender a “ler” imagens, sons, movimentos, formas… Estimulado o gosto, a sensibilidade, o hábito dessa actividade, adquirida essa competência, a comunicação estabelecida pode ser de um valor incalculável e de um imenso prazer.

     Solicitados a dialogar com o quadro que a seguir apresentamos, alguns alunos escreveram ou pintaram pequenas obras de arte. Vamos partilhar convosco alguns produtos desses jovens poetas-pintores que estão a aprender a comunicar com a arte.

 

O Quadro Amoroso

O Amor

Decidiu pôr

Perto de minha casa

As suas malas!

 

Estava eu a tocar

Quando ouvi cantar

Uma voz familiar…

 

Era um canto tão bonito

Que  me apanhou

Em flagrante delito.

 

Fui logo ver quem era.

Oh, que figura tão bela!

Minha amada cantava

Enquanto eu a mirava.

 

Junto dos arbustos ficámos

E serenamente pensámos

Num piquenique pintado

Ao doce som do violino.

 

A Natureza,

Com a sua beleza

Colocou frutos vistosos

Coloridos, gostosos

Na nossa mesa.

 

Mas de repente o sonho acabou

A realidade chamou com razão

E eu reparei que tinha entrado

Durante algum tempo naquele quadro

E nele vivera com alguma emoção!

 

   Henrique Mendes, 7º 2

 

 

 

Poeta sonhador

 

O velho poeta-pintor

Pintou com a liberdade

De poder amar

Os tons e os sons

Da inebriante Natureza

 

Com o pincel na mão

Pintou com paixão

Aquilo que via

Sentia e ouvia

em infinita beleza.

 

Pintou a música

Com uma só cor

Regeu a pintura

Com a sua batuta.

 

Depois…

Ela aproximou-se com recato

Olhou-me com ternura

E disse: “Que belíssima pintura!”

Olhei pasmado e gostei do retrato.

 

Por fim a música parou

O pincel pousou

E num pequeno salto

Voou bem alto

Para mais tarde regressar

E poder voltar a pintar

A tocar, a sonhar…

 

Maria João Gonçalves, 7º2

 

 

 

Desenho de Amor

 

Hum… não sei o que desenhar!

Uso a imaginação?

Uma visão?

Paixão!

 

Vê-los assim deitados

Agarrados

Juntando seus corações numa só vida

Que ninguém consegue separar

Com uma só tentativa!

Nem uma, nem duas, nem três…

 

Ouçam! Ouçam a sua música

Música de harmonia.

Sintam o cheiro da Natureza

Como há muito ninguém sentia!

 

Pego no meu fino pincel

E começo a desenhar

Aquela paixão nunca vista

Aquele dom de amar!

 

Olho para o meu desenho

Com a maior alegria

Por algo que fiz com engenho

E gosto neste belíssimo dia!

 

Mariana da Silva Coelho, 7º2



publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Segunda-feira, 04 Julho , 2011, 13:45

     De volta aos livros porque a leitura é imprescindível no combate à preguiça mental e porque as histórias, produto final de uma conjugação perfeitas das palavras, são a base para que o conhecimento faça transparecer uma vitalidade longe da penúria a que a ignorância condena. Se preferirmos, nada melhor do que ler para deixarmos de correr atrás daquilo que nos impingem sem sequer contestarmos. A leitura permite-nos recolher a informação, tratá-la e depois usá-la de acordo com as ideias ou sugestões, tónico dos nossos pontos de vista devidamente informados e esclarecidos, garante eficaz da liberdade.

     Mas, se a leitura nos permite a informação, as histórias invariavelmente indissociáveis dos livros permitem-nos ver para lá do nosso mundo. Acrescidas de coisas supostamente imaginárias, essas coisas, fruto do imaginário e feitas as devidas comparações, não parecem assim tão irrealistas ou fantasiosas. Há nelas qualquer coisa que identificamos como já termos visto, vivido, enfim, às vezes o imaginário parece bem real.

     A história que hoje aqui trago, embora ficcionada pelo seu autor, revela-se pela sua importância uma boa solução para aquilo que já não queremos, daquilo que já não precisamos e que o fim a dar a essas coisas em sobra podem ainda não ter os dias contados. Insignificantes para nós, essas coisas podem ainda vir a ter muita serventia e importância para outros.

     Assim, a nossa anfitriã Laura via coisas que mais ninguém via. Todos os objectos tinham vida, sentimentos. Aos seus olhos, todas as coisas tinham a sua família, a sua origem e de cada vez que olhava para um objecto, este tinha de pertencer a qualquer coisa, como por exemplo um lápis pequenino tinha junto assim um lápis grande (pai) e um médio (mãe). Era assim com todos os outros objectos. Para a Laura, que via coisas que os outros não viam, todas as coisas eram muito mais que meras coisas…

     Desta forma, associando as coisas umas às outras, como uma espécie de família, Laura fazia de tudo para que as ditas “famílias” nunca estivessem separadas. As bolas todas juntas, os cavalos com os cavalos, os carros com os carros, enfim, todos os objectos estavam juntos de acordo com a sua origem. Então, Laura “…soube assim que as coisas tinham o seu coração…”

     À medida que ia recebendo brinquedos novos, ia deixando os outros de lado acumulados no baú, até não caberem mais. A mãe da Laura pediu-lhe para dar os brinquedos mais antigos, aqueles com que ela não brincava mais. Após várias recusas e uma última intervenção da mãe “… se não brincas com eles, ficarão sozinhos e tristes, e aborrecer-se-ão, e acabarão por adoecer de tristeza…”, dito isto, Laura que “sabia que as coisas tinham um coração como as pessoas, e que os mimos lhes faziam falta e que se sentiam mal quando ficavam sozinhas” concordou em dar alguns dos seus brinquedos para outras meninas e meninos para também eles poderem sentir a alegria e terem com que brincar. Juntos, brinquedos e os seus novos donos, ganhariam uma nova vida.

     Desta história podemos retirar um excelente exemplo e uma grande verdade. As coisas também têm coração e, quando aos nossos olhos pelo excessivo e repetitivo cansaço de as olharmos nos perecerem velhas e sem serventia, aos olhos de um outro alguém talvez essas mesmas coisas pareçam novas e com muita vida ainda para dar.

Num tempo tão conturbado como o que estamos a atravessar, a melhor forma de o superar será fazer como a Laura, dar uma nova vida aquilo de que já não precisamos. Certamente haverá quem não se importe de dar vida a essas mesmas coisas.

     “Por isso Laura quis que os outros vissem o coração das coisas… Para oferecer alegria, e não tristeza às coisas e às pessoas…”

     Esta é a história da “Laura e o coração das coisas”

 

Jorge Almeida


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“O prazer de ler e de escrever não é um acto solitário, é uma forma de entrar em relação com o outro, de partilhar uma paixão.” Cláudia Freitas, Leituras Cruzadas
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