Aqui é o ponto de encontro de todos os que gostam de ler, de falar de livros, de ilustrar as passagens preferidas, de partilhar leituras…
Vamos conversar?
Neste espaço, podemos partilhar com os outros as nossas opiniões sobre livros/textos que apreciamos, leituras que adoramos e, também, conhecer novos livros interessantes. Leste um livro interessante? Então, fala-nos um pouco dele. Vem até aqui, ao nosso PONTO de ENCONTRO, um espaço que gostaríamos que fosse verdadeiramente NOSSO, de toda a Comunidade Educativa.
“Ler é sonhar pela mão de outrem.” Fernando Pessoa
publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Sábado, 17 Julho , 2010, 22:18

 

Não sei porque razão nem faço a mais pequena ideia dos motivos pelos quais as histórias conseguem combinar a ficção com a emoção, nem sei como podem pequenas letras misturadas umas com as outras dar o que dão, obras valiosíssimas construídas sob a batuta de uma mão hábil e autenticadas por um pensamento repleto de coisas por inventar e, depois de inventadas, constituem-se achados saídos da cabeça de alguém.

Não sei, julgo não saber, mas, quando lanço os olhos por um livro e o leio com total entrega à tarefa da “degustação” das letras, a resposta manifesta-se a cada frase, paragrafo, página ou capítulo.

A aproximação entre leitor/história ganha forma e desta intimidade a história ficcionada torna-se numa emocionada vivência, pois o poder de uma boa história permite-nos absorver o enredo e no final, a percepção daquilo que se leu aviva os nossos sentimentos, sejam eles quais forem.

Então sei o que até então parecia não saber ou pelo menos não lembrava. Às vezes, esquecemo-nos de nos lembrarmos e quando reavivamos a memória, a lembrança parece descobrir coisas novas, entretanto esquecidas pela ausência do uso.

A leitura contínua aviva sentimentos e assim, os efeitos sobrepõem-se pela causa, compactada numa história que depois de lida fará parte do nosso mundo das coisas descobertas através da leitura.

A história do “Palhaço Verde” de Matilde Rosa Araújo parece enquadrar-se neste capítulo da ficção/ emoção, pois lida (esta história) fica-se com a sensação de que este menino bem podia ser um de nós…

Mas, o que torna esta história tão “apetecível”? Talvez o facto de ter sido tão bem pensada, escrita e recheada com detalhes tão reais que quase nos faz querer ser esse menino.

Esta história fala de um menino que ao ver-se ao espelho, descobriu em si pequenos traços de riso, de graça e como foi capaz de rir de si, achou-se capaz de fazer rir os outros.

Não um palhaço qualquer, era um palhaço que “… tinha os olhos que brilhavam como estrelas e no peito um coração de oiro…” e o sonho de fazer rir todos os meninos.

Então, arranjou umas roupas engraçadas e vestido a condizer com o riso transformou-se num palhaço. O mais lindo, o “Palhaço Verde” por causa do seu chapéu, “…verde tenro da cor dos prados…”

Uma história lindíssima e intemporal, caracterizada pela fantasia, mas adequada ao nosso tempo onde se vai sentindo a falta dos sonhos, dos bons sonhos.

Porque sonhou, Matilde Rosa Araújo escreveu esta história e entregou-no-la para que possamos sonhar.

Afinal, de onde nascem as histórias senão do sonho!

O “Palhaço Verde” é a prova disso…

 

Jorge Almeida


publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Domingo, 11 Julho , 2010, 00:32

        

 

É costume dizer-se que quando alguém parte do mundo dos vivos, nomeadamente do mundo artístico, é mais uma estrela que se junta lá no céu.

Esta ideia parece enquadrar-se com o espírito da ausência forçada mas não completada, isto é, apesar de as não vermos fisicamente e a fazer fé nas estrelas, quando olharmos para o céu lembrar-nos-emos das pessoas que queremos manter vivas, e nada melhor que as estrelas.

De algumas lembrar-nos-emos com certeza pelo que deixaram, pelos trabalhos, pela presença, por tudo que fizeram e que as suportarão na longa ausência, como por exemplo os livros.

As partidas recentes de José Saramago e Matilde Rosa Araújo, configuram neste exemplo. A perda ainda que triste, não será de todo uma partida perdida pois as sua obras continuarão a mantê-los vivos e a cada livro que lermos, a cada página que virarmos é como que o sussurrar das suas vozes numa conversa de amigos. E no final de cada conversa, tida através das páginas escritas que lermos, ficam as histórias, contadas ao ouvido, o mesmo será dizer, contadas pessoalmente pois cada um de nós teve ou tem o privilégio de ler como e aonde quiser. Cada um pode escolher o momento para saborear através das letras muitos e bons segredos, muitas e boas histórias.

De José Saramago escrevi em tempos para discordar dele sobre a forma de ver e encarar a religião. No entanto, sobre o escritor tenho o maior apreço pois é (foi e sempre será) uma verdadeira força da natureza, um génio literário e a comprova-lo estão as suas obras que mantê-lo-ão para sempre vivo e para sempre um homem do nosso tempo.

Falar de Matilde Rosa Araújo é como que falar de uma fada das letras onde a cada conto seu se espalha a magia e se cria o gosto pela leitura, ou não fossem as palavras compostas por letras e, tal como ela dizia “a letra tem uma música”

Pois bem, embalados pela música das suas letras, partilhamos momentos únicos descritos em cada história como por exemplo “O palhaço verde”, “Capuchinho cinzento” entre outras histórias que só ela sabia contar e escrever.

A partida destes dois ilustres amantes das letras empobrecem a nossa vida quotidiana uma vez que ficamos privados da sua criação. Porém nunca “órfãos” pois o seu legado jamais deixará alguém (pelo menos quem gosta de ler) “desamparados”.

As suas obras continuarão a falar, a dar vida a quem nunca morrerá.

Alguém dizia que “a melhor homenagem que se lhes possa fazer é continuar a lê-los”

Assim faremos, assim será ou não fossem eles duas estrelas cintilantes cuja luz jamais de extinguirá.

 

Jorge Almeida


publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Sexta-feira, 02 Julho , 2010, 18:12

Saudades mesmo antes da partida,

E mais tenho agora que ela chegou.

Chegou num fugaz passeio essa saída,

E com muitas saudades me deixou.

 

E agora o que faço com esta ausência,

Com esta agonia que me entristece…

Como evitar esta amarga contingência.

Que se instala no peito e nele cresce.

 

Parei para pensar no que fazer…

E a solução surgiu num instante.

Bem pensado, muito fácil de ver,

Coisa simples, mas importante...

 

Descobri como embalar a tristeza,

E por ela não me deixar adormecer.

A solução para pelejar esta fraqueza,

Cuidar do blogue, ajuda-lo a viver.

 

Descobri-lo e pinta-lo com toda a cor,

Com afectos ternura e muita afeição.

Espelhar através dele um grande amor,

Coisas belas, feitas com o coração.

 

E assim se engana esta saudade,

E se mantém a porta sempre aberta.

Mesmo longe une-nos a proximidade,

Deste ponto de encontro, coisa certa.

 

Por isso, é preciso deste blogue cuidar,

Que se faz de sonhos e de puras quimeras

Mesmo de férias, tempo podemos arranjar

Vá lá, então! Não vens? Porque esperas…

 

Mesmo de férias a missão está de pé,

Dar vida ao nosso Ponto de Encontro.

Faz de conta que nos reunimos no café,

Comemorar a vida a cada reencontro.

 

Agora que o verão finalmente chegou,

As férias, o sol, a praia e muito lazer.

Mas, tudo na mesma, aqui nada mudou,

Toca a ler, a ler e depois, toca a escrever.

 

E agora sem mais conversas e demoras,

Porque a brincar se fala de coisas sérias.

Acho que me descuidei e já são horas…

De desejar a todos umas boas férias.

 

 

Jorge Almeida


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