Aqui é o ponto de encontro de todos os que gostam de ler, de falar de livros, de ilustrar as passagens preferidas, de partilhar leituras…
Vamos conversar?
Neste espaço, podemos partilhar com os outros as nossas opiniões sobre livros/textos que apreciamos, leituras que adoramos e, também, conhecer novos livros interessantes. Leste um livro interessante? Então, fala-nos um pouco dele. Vem até aqui, ao nosso PONTO de ENCONTRO, um espaço que gostaríamos que fosse verdadeiramente NOSSO, de toda a Comunidade Educativa.
“Ler é sonhar pela mão de outrem.” Fernando Pessoa
publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Quinta-feira, 05 Julho , 2012, 21:45

Saramago, um escritor genial, mundialmente conhecido, é autor de obras maravilhosas, mas que estão frequentemente associadas a um certo nível de complexidade, a alguma dificuldade na leitura. Contudo, consegue também surpreender-nos com uma escrita simples e deslumbrante. Surpreender-nos e maravilhar-nos! Fiquei encantada com um texto que lemos nas aulas de Português – “Neve Preta” - e que faz parte do manual adotado na nossa Escola. Este texto revela uma extrema sensibilidade e respeito pelos sentimentos dos mais novos e isso o autor deixa extremamente claro desde o início até ao fim do texto.

Conta Saramago que, num dia de aulas, uma professora lembrou-se de solicitar aos seus alunos que fizessem um desenho sobre o Natal, podendo, para tal, usar todos os materiais que quisessem. Todos deram o máximo de si, embora uns tenham ficado melhores do que outros. E, como sempre, na hora de entregar os trabalhos, lá estava o presépio, o boi, a vaca, o Menino Jesus, a Virgem, São José, os pastores e os reis magos. Observando os trabalhos que eram colocados em cima da secretária, a Professora ia dando as notas que variavam entre “bom”, “suficiente” e “mau” quando, de repente, ficou chocada ao ver um desenho igual aos outros em tudo, exceto na neve que, contrariamente ao que seria de esperar, era preta. E a pergunta surgiu, inevitável: “Porquê?”. A menina ficou calada, mas a Professora insistiu na pergunta. Ecoavam na sala comentários e risos cruéis e, ao fim de algum tempo, a menina acabou por responder que a neve estava pintada de preto porque fora nesse Natal que a mãe dela tinha morrido. Fez-se um silêncio profundo, pesado e, nesse momento, a Professora pensou: “À Lua já chegámos, mas quando e como conseguiremos chegar ao espírito de uma criança que pintou a neve preta porque a mãe lhe morreu?”

Esta frase absolutamente comovente deixa-nos a pensar se realmente o homem se preocupa mais em alcançar a Lua do que em penetrar no espírito das crianças… Será a Lua mais importante?!

Penso que este texto extremamente belo, extremamente triste conduz a reflexões urgentes sobre a importância daquilo que é “invisível para os olhos”… E é um apelo para que estejamos mais atentos aos outros, aos que nos estão próximos e procuremos perceber as razões das suas atitudes, chegar ao seu espírito. Às vezes, o homem anda tão preocupado por alcançar o que está longe que não consegue chegar ao que está bem perto de si!

A minha Professora de Português facultou-me o texto integral de onde foi extraída a história “Neve preta” – “História de um muro branco e de uma neve preta”, in Vasco Graça Moura (Org). Glória in Excelsis – Histórias Portuguesas de Natal. Porto, Público, 2003. Li-o e achei-o deslumbrante. É composto por duas histórias centradas nas crianças, que nos levam a reflexões profundas sobre as nossas ações, a nossa postura na vida. Fiquei fascinada com o texto e com a sensibilidade e a nobreza de quem o escreveu.

 

Mariana Cardoso, 7º1


publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Sexta-feira, 22 Junho , 2012, 10:31

Numa aula de Português, analisámos alguns poemas completamente diferentes dos habituais. Falámos de poesia visual, poesia concreta, caligramas, Apollinaire, Alexandre O’Neil… Achámos esta matéria muito interessante, singular, fizemos algumas pesquisas e desenvolvemos alguns trabalhos nesta área, que gostaríamos de partilhar consigo, caro leitor.

 

Poesia Visual

A poesia visual pretende ser um tipo de poesia em que o texto, as imagens e os símbolos estão distribuídos de tal modo que o elemento visual assume a principal função organizacional da obra. Não depende da existência de símbolos de escrita para sua caracterização como poesia, contudo não os exclui.

 Foi uma tentativa de romper com a ditadura da forma discursiva do poema, de vencer o domínio da gramática ou mesmo superar a construção prosista. A sua produção revela a consciência de que escrever é também imprimir um desenho no papel. A figura desempenha um papel influente sobre o texto, pois a leitura desenrola-se ao mesmo tempo que os olhos recebem o estímulo informativo do desenho, que pode confirmar, ampliar, desviar ou contradizer a mensagem. É muitas vezes confundida com a poesia concreta, pelo carácter imaginário desta.

           O poema visual mais antigo que se conhece é “O Ovo” de Simias de Rodes.

 

 

 

 

Poesia concreta

A poesia concreta é um tipo de poesia inovadora, de carácter experimental, basicamente visual, que procura estruturar o texto poético escrito a partir do espaço do seu suporte.

 

Ana Pinto, Fábio Almeida, Henrique Mendes, Juliana Esteves, Liliana Ferreira e Rui Cardoso, 8º2

 

Sobre Divertimento com sinais gráficos  - Alexandre O’Neill

A meu ver, estes sinais gráficos, que me parecem ser pontos de exclamação, representam pessoas. Pessoas que têm um ponto de partida e um destino traçado. Umas caminham sozinhas, outras, em grupo, cada uma ao seu ritmo, em busca de algo de bom na vida.

Para mim, este poema representa, essencialmente, a vida.

Henrique Mendes, 8º2

 

Na minha opinião, este poema visual expressa o sentimento de liberdade, visto que os pontos de exclamação estão todos inclinados e na mesma direção, parece que estão a voar com o objetivo de alcançar algo, uma meta.

Maria Manuel, 8º2


Quando olho para este poema, vejo imediatamente o meu grupo de jograis.
Logo à primeira vista, observo a maneira como nos agrupamos e o número de pessoas que formam este conjunto. Cada ponto parece-me o nosso guião. Isto é o mais evidente...

Mas, olhando mais profundamente, vejo e cheiro união, e é uma união forte, que existe no poema e no grupo dos jograis.

 

Rui Cardoso, 8º2


Visto por mim, estes sinais gráficos representam uma borboleta que está a voar em liberdade, sem um rumo certo, provavelmente porque necessita de se sentir livre e de procurar alguma companhia. Talvez este poema queira transmitir isso mesmo - liberdade.

Maria João, 8º2

Estes sinais gráficos sugerem-me um grupo de gaivotas voando pelo céu, apenas numa direção, com um caminho definido. Vejo preocupação, não percebo bem porquê, talvez por me dar a ideia que estão a fugir. Também me dá a sensação de que há um comandante, ou seja, o ponto de exclamação que vai à frente dos outros.

 

Catarina Rebelo, 8º 2

 

Sobre o poema Opressão de Alexandre O’Neill

 

 


Neste poema, Alexandre O´Neill retrata o regime que vigorava no tempo em que ele vivia. Como todos sabemos, na ditadura Salazarista não havia liberdade de expressão, por isso, na minha opinião este poema denuncia essa opressão, transmite-nos as ideias contra o regime. A mancha gráfica deste poema faz-me lembrar um funil, que significa que essas ideias eram passadas de “boca em boca”, secretamente. O fundo do funil sugere que essas pessoas morrem, porém, ninguém corta a raiz ao pensamento, ou seja, as ideias já tinham sido disseminadas, provocando uma revolução popular contra o regime, que acabou por ser eficaz.

Henrique Mendes, 8º2

 

Neste poema consigo perceber que a palavra opressão cada vez se oprime mais, até que chega a um ponto que começa a libertar-se, a soltar-se. É o que acontece, muitas vezes, quando chegamos a um limite: temos obrigatoriamente de nos libertar, para que possamos viver em felicidade.

Maria Manuel, 8º 2

Caligramas

Caligrama é um tipo de poema visual, surgido no início do século XX, que se expressa através de uma original disposição gráfica do texto escrito, formando uma espécie de pictograma e representando um símbolo, objeto real ou figura, que é a própria imagem principal do poema. Não se sabe ao certo quem teria sido o criador do caligrama, mas acredita-se que tenha sido o poeta Guillaume Apollinaire, o primeiro a usar a palavra “calligramme”, em 1918, numa época em que procurava alcançar uma forma cubista de representação do texto.

 


 

 

 

Alexandra, Ana Lopes, Ana Rui, Delfim, Cláudia, Maria João e Rafaela, 8º2

 

 

E mais uma vez constatamos que as artes se vão entrelaçando, indissociáveis na sua função. Ora desenhando com letras, ora escrevendo com imagens, em admiráveis  cumplicidades artísticas, surgem obras de arte de rara beleza, capazes de provocar uma pluralidade de leituras.


publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Quinta-feira, 21 Junho , 2012, 21:17

Este livro conta-nos uma história encantadora onde a sensibilidade e a criatividade emparceiram com a beleza da expressão escrita e destacam a importância da amizade, do amor, do respeito pelo outro, da solidariedade, da cooperação, do trabalho em equipa, da gratidão…

Fui falar com os alunos que participaram neste trabalho sob a orientação da Senhora Professora Lourdes Luís, que se encontram, neste momento, no 5º 6 da EB 2,3 de Lamego. Transmiti-lhes a minha opinião sobre o produto final, felicitei-os pelo excelente trabalho de equipa e ouvi os seus depoimentos relativos ao percurso deste projeto, às vivências que o acompanharam, aos sentimentos e memórias que perduram.

Aqui ficam alguns registos.

Lídia Valadares

 

Amor com Amor se paga

 

 

Amor com amor se paga conta uma história, agora publicada em livro, que nos proporcionou uma experiência absolutamente fantástica, mas que também nos deu bastante trabalho. Contudo, com a ajuda da Senhora Professora Lourdes Luís, que nos acompanhou desde o primeiro até ao quarto ano, e das Estagiárias, conseguimos um belo produto final.

 

Esta história foi criada quando andávamos no segundo ano da turma A, depois de ter sido proposta a nossa participação no concurso “Conta-nos uma história”, que aceitámos logo de imediato e onde ficámos classificados em primeiro lugar.

 

O livro foi publicado pela Editora Alfarroba e, no passado dia 6 de Junho, fomos convidados a assistir ao seu lançamento, que se realizou no Centro Escolar de Lamego. Adorámos estar, de novo, juntos com a Senhora Professora Lourdes e a cerimónia do lançamento do livro foi muito bonita.

 

Achamos que o livro está belíssimo!

 

E, de facto, podemos concluir que: “Quando trabalhamos em equipa como verdadeiros amigos vencemos todos os obstáculos”.

 

Beatriz Pinto e Margarida Cardoso – 5º 6


No segundo ano do primeiro ciclo, no âmbito de um projeto para o Museu do Douro, propuseram-nos um desafio e nós escrevemos uma história chamada: Amor com amor se paga. Depois de ilustrarmos a história, fizemos um pequeno livro, que ficou numa exposição. No quarto ano, participámos no concurso “Conta-nos uma história e acabámos por ganhar.”

Depois de passarmos por tudo isto, a Senhora Professora Lourdes Luís decidiu publicar o livro.

No dia do lançamento, estávamos todos muito nervosos, mas acabámos por conter os nervos e, depois, foi muito divertido lá estar.

Adoramos o livro e as ilustrações estão fantásticas.

    

 Gonçalo, João, Jorge e José Pedro, 5º 6


Eu gostei muito de participar, em conjunto com os meus colegas e com a Senhora Professora Lourdes Luís, na história Amor com amor se paga, agora publicada num livro.

Tudo começou no primeiro ciclo, quando nos foi lançado o desafio de criar uma história. Para tal, tínhamos de saber muito bem determinadas matérias.

A história fala sobre uma viagem aos planetas e sobre o valor e a importância que têm o amigos. Mais tarde, entrámos no concurso “Conta-nos uma história e viemos a saber que ficáramos em primeiro lugar.

Agora, surge um livro maravilhoso, que nos incentiva a continuar a trabalhar.

 

Carolina Gomes, 5º 6


Eu gostei muito de participar na elaboração da história Amor com amor se paga. Para este texto escrever, tivemos de ser muito criativos, trabalhar em equipa, saber muito bem a tabuada, os nomes dos planetas e, especialmente, escrever bem.

Acho que as ilustrações ficaram lindas e dão vida ao texto.

 

Beatriz Lázaro, 5º 6

 


 

Quando andávamos no 1º ciclo, a nossa turma, com o apoio do Museu do Douro, dos nossos estagiários e da Srª Professora Lourdes Luís, produziu um texto em que a amizade, o amor e a entreajuda eram os principais elementos.

 

Amor com amor se paga é uma história muito criativa em que viajamos pelo espaço, de planeta em planeta, enfrentamos imensos desafios, ajudamos, somos ajudados e aprendemos o valor da amizade e da união.

 

Quando visitámos o Museu do Douro, um museu fantástico que narra as imensas tradições da nossa região, fizemos algumas ilustrações alusivas ao nosso texto. Mais tarde dramatizamo-lo. Quando soubemos da existência de um concurso em que podiam ser apresentados trabalhos em áudio, gravámo-lo e a nossa professora submeteu o trabalho. 

 

Fomos os vencedores!

 

Algum tempo depois, a Srª Professora Lourdes teve a ideia de editar o trabalho em livro.

No dia 6 deste mês foi a sessão do seu lançamento. Um momento inesquecível que nos fez recordar a experiência espetacular que foi realizar este trabalho juntamente com a nossa professora, uma pessoa muito simpática e generosa que, para nós, será uma eterna amiga.

Francisca e Samanta, 5º6


No dia 6 de Junho de 2012, fui assistir ao lançamento de um livro que conta uma história escrita por alguns dos meus colegas enquanto frequentavam o 1º ciclo. Nessa sessão, foram projetados vários “slides” que mostravam como tinha surgido o livro.

Dias depois, a Srª Professora Lídia Valadares foi à nossa aula de Português, falou sobre o livro, a história encantadora que nele morava, as ilustrações fantásticas, deu os parabéns aos autores e ouviu as opiniões dos elementos da turma. Eu manifestei a minha opinião, dizendo que considerava o livro muito bonito, a história muito interessante e criativa e as ilustrações magníficas. Referi que tinha achado muito engraçado o facto de haver, em cada planeta, uma personagem que obrigava os meninos a fazerem coisas inimagináveis.

O lema do livro é a amizade e o título Amor com amor se paga. Como podem ver, está tudo relacionado e eu só acrescentaria: A união faz a força!

Eu adorei este livro e comprei um exemplar para me recordar sempre dos meus colegas.

 

Carolina, 5º6


Tudo começou no segundo ano de escolaridade, com o projeto “Ler+”, que nos motivou a elaborar uma história orientada pelo tema da solidariedade. No terceiro ano, participámos no concurso “Conta-nos uma história” com um texto que criámos e escrevemos. Mais tarde, dramatizámo-lo e, depois, gravámo-lo com a ajuda do Sr. Professor José Carlos. Já no quarto ano participámos num concurso com este texto e certo dia, quando recebemos a notícia que tínhamos ficado em primeiro lugar, a sala tornou-se numa autêntica euforia!

Neste ano letivo, em que frequentamos o 5º 6, na Escola EB 2,3 de Lamego, informaram-nos que o nosso livro iria ser editado. Ficámos muito felizes e, passados alguns dias, fomos ao seu lançamento. Sentimos uma grande alegria!

 

Ana Cardoso, Ricardo Barreto e Sérgio Pereira, 5º6



publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Sábado, 16 Junho , 2012, 20:45

AS MIL PALAVRAS DE UMA IMAGEM

 


 

Certamente que já ouviu a expressão: “uma imagem vale mais do que mil palavras”. Esta é, sem dúvida, uma verdade, mas também não será menos verdade que uma palavra pode sugerir mil imagens. E é suficiente pronunciar água para poder compreendê-lo.

Resulta curioso comprovar como cada um percebe a realidade em função da sua cultura. Talvez para uma pessoa que adormece cada dia com o sussurro do rio, a palavra água lhe faça ver a corrente entre as pedras e as frondosas margens. O agricultor vê a chuva no seu quintal. O pescador vê a maré e a sua vida nas imagens do mar e talvez o químico veja a fórmula H2O ou a imagem da molécula que a forma.

Água não é a mesma coisa no Sahara e na Amazónia. A palavra é uma entidade vazia, abstrata. O que faz uma palavra diferente da outra é o conceito que representa e nós, os seres humanos, identificamos a maior parte dos conceitos através das imagens que temos deles.

A cultura muda a vida das pessoas e é determinante nas nossas experiências vitais. Por isso é tão importante o intercâmbio cultural, seja entre países, pessoas, disciplinas escolares ou artes.

Todas as artes têm um fundo em comum: nasceram da necessidade individual do homem de comunicar, da vontade de partilhar os seus sentimentos, ideias e a sua forma de perceber a vida.

Cada arte utiliza o seu meio de expressão: a escultura expressa-se com volumes e vazios, a música fá-lo com sons estruturados, a dança, através do movimento harmonioso dos corpos, a literatura, com palavras e a pintura, com imagens. Mas, como tudo na vida, todas elas estão unidas por um fio invisível, complementando-se umas com as outras. São filhas de uma mesma mãe e não querem nem podem estar separadas. Assim, o cinema, cujo meio é o movimento das imagens, nutre-se da literatura, da música, da dança e de muitas outras vertentes artísticas, para se enriquecer.

No caso da pintura e literatura, existe uma união profunda e ancestral, especialmente se falarmos de expressão plástica e de escrita. Sabemos que a expressão plástica é anterior à escrita. Os homens da pré-história deixaram constância disso mesmo nas magníficas, místicas e mágicas pinturas rupestres. Mas o homem é um ser social e tinha de comunicar com os outros. Primeiro fê-lo com gestos e sons. Os sons tornaram-se desenhos, imagens que representavam conceitos, (como nos hieróglifos), os conceitos foram-se decompondo em palavras e as palavras em letras. E o que são as letras senão um conjunto de linhas? E não é isso um desenho, uma imagem?

A caligrafia é a arte de escrever empregando belos signos, senão vejamos a arte da linha, em árabe, que é um bom exemplo desta união. É certo que depois da imprensa, e ainda mais com os computadores, a caligrafia perdeu prestígio, mas continua a ser uma arte muito viva em alguns países, como no Japão, e sobretudo é uma importante fonte de inspiração para os criadores de novas tipografias. A tipografia tem muita responsabilidade na compreensão dum texto e nas sensações que provoca, da mesma forma que o nosso sistema de escrita e leitura (da esquerda para a direita, de cima para baixo) tem muita responsabilidade na forma como olhamos/lemos uma imagem.

Tudo isto é linguagem visual. Uma linguagem que tem também um alfabeto, uma gramática e uma sintaxe.

Numa pintura, a perspetiva são os capítulos de um livro, a composição são os parágrafos de um texto, o tipo de pintura é a tipografia; manchas, linhas e texturas são as palavras, as cores são os adjetivos, as formas são os verbos, o ponto é o ponto final, a vírgula, o ponto de exclamação e de interrogação. Um ponto numa imagem é um silêncio, ou uma pausa, mas também é um grito ou uma pergunta. É uma das entidades mais fortes e poderosas... Exatamente como na literatura.

As duas artes complementam-se e, se isoladas são fortes, juntas são-no ainda mais. Por isso, muitos livros têm imagens e muitos quadros têm título. Textos mais complexos utilizam ilustrações explicativas ou sugestivas para esclarecer a sua mensagem, e a mensagem dum quadro abstrato pode chegar melhor e a um maior número de pessoas acompanhada de algumas palavras. Mas não é só esta a força da união entre estas duas artes. Por um lado, graças aos pintores conhecemos os rostos de inúmeras personagens: desde a bela Beatriz de Dante, até à imagem que temos de Deus ou de Don Quixote. Por outro, graças aos escritores conhecemos as razões que originaram muitos quadros, a vida dos artistas ou histórias misteriosas e fantásticas das suas obras, como é o caso do Código Da Vinci, de Dan Brown.

Livros e quadros são construtores de histórias, imagens da nossa realidade, veículos para fazer viagens no tempo e no espaço, portas para interligar mundos diferentes, janelas para espreitar a nossa fantasia...

Caro leitor, experimente, procure as mil palavras de uma imagem e as mil imagens de uma palavra. Acredite que vai surpreender-se!

 

Gema Sedano Herrera


publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Terça-feira, 12 Junho , 2012, 14:30

Segundo a mitologia grega, as musas eram divindades a quem era atribuída a capacidade de inspiração artística. Eram nove e cada uma delas tinha a seu cargo uma área específica. Portanto, muitos artistas solicitaram a sua intervenção para que uma poderosa inspiração os acompanhasse na elaboração das suas obras. Grandes génios do mundo inteiro as invocaram.

Pablo Picasso também falava delas, mas de uma maneira bastante curiosa! Ou genial… Costumava dizer: “Si las musas vienen que me cojan trabajando” (Se as musas vierem que me encontrem a trabalhar).

Explorando esta frase, torna-se perfeitamente compreensível o que Pablo Picasso pretendia sublinhar: que nada vem sem trabalho, nem mesmo a inspiração! Na verdade, a inspiração não virá nunca se cruzarmos os braços, esperando que ela faça a sua milagrosa aparição. Só o trabalho, o esforço, a perseverança poderão criar as condições necessárias para a “vinda das musas inspiradoras”.

Aliás, esta ideia transmitida por este famoso pintor e escultor espanhol fez-me lembrar um conto que li quando era mais nova, cujo título e autor já esqueci, mas do qual recordo a história. Tratava de uma mulher que viveu há muitos anos e que era doméstica. O marido saía todas as manhãs para ir trabalhar e a mulher ficava a tratar das lides domésticas, para que, quando o marido chegasse, estivesse tudo impecável. Contudo, todos os dias acabava por acontecer a mesma coisa: começava por varrer a casa, mas depois lembrava-se que tinha que lavar a loiça e ia lavá-la. Entretanto, abandonava este trabalho, porque pensava noutro que tinha para fazer… E, assim, saltava de tarefa em tarefa sem nunca concluir nenhuma.

Deste modo, quando o marido chegava, estava tudo por acabar e a casa parecia ainda mais desarrumada do que quando ele tinha saído. Tudo permanecia num caos.

Num dia em que desabafava com a sua vizinha, esta aconselhou-a a fazer todas as suas tarefas de maneira organizada, isto é, começar e acabar cada uma com determinação e método e obedecendo a uma ordem sequencial. Procedendo desta forma, teria cinco anõezinhos invisíveis a ajudá-la. A mulher, desesperada, lá aceitou. E, cumprindo o que tinha combinado, organizou-se de maneira a que no dia seguinte conseguisse que os “anões a ajudassem” nas suas tarefas. Miraculosamente, algum tempo antes do marido chegar, estava tudo feito.

Agradecida e feliz, a mulher, todos os dias, seguia rigorosamente estas indicações, acreditando na ajuda precioso dos cinco anõezinhos

Conclusão: tal como os anões invisíveis, as musas são fictícias, mas, se acreditarmos nelas e trabalharmos com empenho e inteligência, seremos certamente bafejados pela inspiração e os resultados serão, muito provavelmente, do nosso agrado. Ou, pensando melhor, talvez as musas existam… e se chamem: Trabalho, Perseverança, Empenho, Força, Vontade, Dedicação, Amor…

Mariana Cardoso, 7º1


publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Segunda-feira, 11 Junho , 2012, 14:30

Comemorou-se em 2011 o Ano Internacional da Química, iniciativa que pretendia mostrar as conquistas e os avanços desta ciência.

Neste âmbito, o Agrupamento Vertical de Lamego levou a cabo várias atividades, entre as quais se destaca a construção, em azulejo, de uma Tabela Periódica Artística. Este projeto, que se estendeu por dois anos letivos, revelou-se um modelo de articulação horizontal e vertical.

Assim, no cumprimento da planificação anual da disciplina de Ciências Físico-Químicas, cada aluno do nono ano realizou um trabalho de pesquisa sobre um determinado elemento químico. Posteriormente, na disciplina de Educação Visual, cada um dos alunos elaborou uma ilustração alusiva ao elemento que tinha pesquisado. Por fim, todas as ilustrações foram reproduzidas em azulejo pelos alunos do curso CEF de Azulejaria.

O resultado é o que se pode ver através das fotografias ilustradoras do produto final, uma Tabela Periódica que conjuga da melhor forma a ciência e a arte.

Esta Tabela Periódica encontra-se exposta no átrio da escola sede do Agrupamento Vertical de Lamego, contribuindo assim para aproximar a química do cidadão comum que, por norma, não a entende porque não a conhece.

Desta forma, os elementos químicos olhados e trabalhados artisticamente convidam a uma interpretação científico-artística na sua observação e a uma leitura mais rica e sedutora.

  

José Queirós


publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Domingo, 10 Junho , 2012, 17:02

Há já algum tempo que ouvimos, com alguma constância, falar de “bullying”. Esta palavra, sem uma tradução correta para a nossa língua pátria, refere-se a todo o tipo de comportamento agressivo que ocorre sem uma razão aparente, com o objetivo de intimidar, troçar ou agredir outro indivíduo e perpassa a sociedade, afetando em especial as escolas.

Na realidade, é constante vermos e ouvirmos notícias sobre o “bullying”. Diz-se que nas escolas há, cada vez mais, situações de violência: agressões físicas e psicológicas, como o insulto, a provocação ou a marginalização e a xenofobia, sendo, tudo isto, uma realidade com maior risco num contexto de maiores pressões económicas e sociais. Assim, quantas crianças e adolescentes não são insultadas, agredidas ou excluídas pelos seus pares? E quantos professores não são atormentados por alunos que desafiam a sua autoridade com manifesto desrespeito pela sua autoridade e pela aprendizagem (a sua e a dos outros)?

Esta violência é exercida como uma demonstração de poder, tanto por rapazes como por raparigas, ainda que eles e elas apresentem alguns comportamentos distintos. Os rapazes usam a provocação repetida e a agressão física e psicológica. As raparigas tendem a recorrer a formas mais dissimuladas: lançam rumores, agridem verbalmente e manipulam. Portanto, troçar, ridicularizar, chamar nomes, dizer mentiras, espalhar boatos, fazer comentários e gestos ordinários, excluir das atividades de grupo intencionalmente, atormentar, empurrar, puxar, bater, beliscar, ofender referindo a cor da pele ou as diferenças culturais, utilizar tecnologias de informação e comunicação (Internet ou telemóvel) para hostilizar, deliberada e repetidamente, uma pessoa, com o intuito de a magoar são manifestações de “bullying” e de “Cyberbullying”, com óbvios prejuízos para o processo normal de crescimento de agressores e vitimas.

Para a vítima, o “bullying” é terrível. Alguém que seja constantemente ridicularizado, agredido ou excluído sente-se mal. Por vezes nem compreende o porquê daquela violência. E sofre. A sua segurança e a sua autoestima sofrem danos, com risco de escolhas perigosas, como o absentismo escolar, a experimentação de drogas e atos delinquentes (Tal como o agressor!). No limite, podem ocorrer transtornos psicológicos, depressões profundas e tentativas de suicídio. Há até quem se torne agressor, quem passe de vítima a agressor ou seja simultaneamente as duas coisas.

Por tudo isto, o “bullying” não é uma questão de menor importância, não é um mero ato de indisciplina, não «faz parte» das brincadeiras e das zangas da infância e da adolescência. E, as comunidades educativas (diretores, professores, pais e encarregados de educação, psicólogos, assistentes operacionais, alunos...) devem estar atentas aos sinais de alerta, unindo-se na busca de alternativas e solução do problema, pois os estabelecimentos de ensino não se podem transformar em ambientes nocivos e deixarem de lado o seu papel formador e educativo. Felizmente, na nossa escola ainda há apoio e verdadeiras amizades. As pequenas discórdias, quando existem, resolvem-se chamando à razão os intervenientes, quer na escola quer na família, cumprindo-se os regulamentos. E sentimo-nos bem nesta escola! Por isso, dizemos bem alto: «Na nossa escola, “bullying” não o queremos! Obrigado!».

 

António Medeiros, 7.º2

Diana Scerban, 8º1


publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Sexta-feira, 08 Junho , 2012, 22:13

Aprecie este vídeo e encontrará a resposta:



publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Sábado, 02 Junho , 2012, 11:50

 “Para Nietzsche, a música é “palavra de verdade”; para Freud, “texto a decifrar” Smedt, Marc (2006)  Elogio do Silêncio


 

 

O diálogo entre Música e Literatura é inegável. Quantos textos se apresentam como composições sinfónicas, em que as vozes se organizam como os diferentes instrumentos musicais, cada um, com uma função distinta, com uma entrada própria, ecoando, a seu tempo, num todo harmonioso e coeso!

Quantas vezes os músicos, os compositores se tornam metáfora e espelho dos escritores!

Muitas vezes, a Música serve como centelha inicial para atear os campos da Literatura, da Pintura, da Filosofia…

Os textos que se seguem são “partituras literárias” de rara beleza. Apreciem-nos!


O mundo da música

 

A música embala o meu ser.

Quando estou triste, canto para libertar os sentimentos e, quando estou contente, também canto, mas canto músicas alegres para ficar ainda mais feliz.

Quando canto, sinto-me um pássaro livre a voar pelos céus. Eu adoro cantar e não trocaria a minha voz por nada deste mundo.

Se me dessem a escolher alguma coisa relacionada com a música, eu iria sem dúvida escolher o microfone.

As canções são as minhas asas, são um conforto para as lágrimas e são um mundo maravilhoso.

Imagina um mundo onde os transportes eram notas, os professores eram claves de sol e tu eras o único humano a habitar esse sítio magnífico.

Experimenta cantar nem que seja uns lá-lá-lá-lás e verás como te vais sentir!

Passas para além do espaço, é assim que eu me sinto, é essa a magia da música.

Não interessa qual é o teu tipo de música, basta seres tu mesmo e cantares com a alma.

Porque no fundo, no fundo, o teu corpo é feito de instrumentos e sons.

Se gostas de cantar, canta à vontade, não te importes se gostam ou desgostam, simplesmente canta e parte a louça toda.

 

Ana Cristina - 4º ano C - CEL

 

A música

 

Desde sempre que a humanidade fez música, às vezes não se apercebendo disso.

A música pode traduzir muitos sentimentos como o amor, a alegria, a desilusão e, por vezes, até o ódio por alguma coisa.

Existem muitos géneros de música: a música clássica, o rock, o jazz, as músicas populares… Mas a minha preferida é o rock.

Há muitas pessoas que, quando ouvem uma música, ficam eufóricas e não têm vergonha de cantar alto e que alguém os ache malucos, bem uma dessas pessoas sou eu!

De manhã gosto de ouvir música alegre, pois dá-me a sensação de que o dia me vai correr bem.

Todos os dias, ao fim da tarde, tenho o meu tempo para ouvir música.

Todos os dias, novos músicos, novas bandas aparecem atraídos pela magia da música.

 António Vouga - 4º ano C - CEL

 

Músicamúsicamúsica…

 

A música é algo inspirador e muito fantástico.

A música faz-se com instrumentos e, por vezes, com algumas vozes.

Quando a oiço, sinto-me como se estivesse nas nuvens.

Do que mais gosto é de cantar e dançar para despertar a minha energia e alegria.

A música não é qualquer coisa, dá-nos uma sensação única e poderosa que nos leva pelo mundo da imaginação.

Há um instrumento que admiro muito, é a harpa. É grande, elegante e bonito e o som é como o da chuva.

Quando faço os trabalhos de casa, ouço música clássica porque é mais suave.

No dia-a-dia oiço um pouco de música e quando estou nervosa acalma-me sempre. 

Fátima Maria - 4º ano C - CEL

 

 

 

Coro Infantil de Lamego

 

Para quem gosta de cantar e encantar

 

O coro Infantil de Lamego, do qual eu faço parte, é um grupo onde participam meninos e meninas com vozes fantásticas que são capazes de interpretar canções sem problemas.

A organização do coro é uma iniciativa especial para quem gosta de cantar. Nasceu na Academia de Música de Lamego, onde também dão aulas instrumentais.

O coro tem atuado em vários espetáculos: Festa de Natal do ano anterior; G.A.L.A. no Teatro Ribeiro Conceição, G.A.L.A. no Salão Apostólico de Lamego, festa para os utentes da Associação «Portas pr’à Vida»; Montra de Oportunidades, Comemorações do 1º de Maio e sempre que é solicitado.

Três professores ensaiam-nos, organizam-nos e ajudam-nos a aperfeiçoar as coreografias.

O coro é educativo e ensina-nos a entender e a apreciar a música.

Aprendi muito com o coro, tem-me ajudado muito e é graças a ele que, quando for grande, a música irá ser o meu guia.

 

Ana Rita, 4º C - CEL

 

Música


Música minha paixão,

Ouço-a nos ouvidos

E sinto-a no coração.

 

Música minha adorada,

Não vivo sem ti

Porque estou apaixonada.

 

Música minha grandeza,

Contigo sinto-me viva

E também em tristeza.

 

Música grande invenção,

Se não existisses

O que seria do meu coração?

 

Francisca – 4º ano A – CEL

 



publicado por Cidália Loureiro e Lídia Valadares | Sábado, 26 Maio , 2012, 10:34

ECOS DE LEITURAS

 

LIÇÕES DE CRIANÇAS PARA ADULTOS

Recebi este livro escrito por John Boyne no Natal e, na verdade, o título não me atraiu muito, mas a capa era apelativa. Dois rapazes completamente diferentes: um, bem vestido, com cabelo bem tratado e sentado na relva bem cuidada; o outro, com uma espécie de pijama, careca e sentado num solo arenoso. Ambos separados por uma enorme vedação de arame farpado. Parecia até que, do lado da vedação onde se encontrava o rapaz do pijama às riscas, o céu era cinzento e reinava a tristeza e a solidão.

Li o livro e, apesar da revolta e da angústia que iam crescendo em mim, adorei o texto, porque retrata extremamente bem os horrores, a crueldade do Holocausto, através da inocência de dois rapazes completamente diferentes, de lados opostos. Além disso, o livro também evidencia o valor da amizade.

Bruno é um rapaz de nove anos que vive numa luxuosa mansão em Berlim com os seus pais e a sua irmã mais velha. Tem uma vida normal e descomplicada, própria de um rapaz da sua idade cujo pai tem grande prestígio na sociedade alemã, por ser um comandante nazi.

Certo dia Bruno descobre que vai ter de mudar de habitação com o resto da sua família. Fica muito desiludido e tenta persuadir a mãe a ficar em Berlim, mas sem sucesso.     

Quando vê, pela primeira vez, a sua nova casa, nem consegue acreditar que vai morar ali. É uma casa isolada, pequena, o oposto da casa em Berlim. E o pior de tudo para Bruno é o facto de não existir nada para fazer, nenhuma criança com quem brincar, exceto a sua irmã, três anos mais velha que ele, e, como qualquer irmã adolescente, não lhe liga nada.

Mas há uma coisa na sua casa nova que o deixa num misto de espanto e de insegurança… A paisagem que vislumbra da janela do seu quarto é, num primeiro olhar, bastante agradável: um grande jardim muito bem cuidado, com um banco, uma área envolvente bastante bonita. Contudo, observando com mais minúcia, um pouco mais à frente o panorama muda de figura e uma enorme vedação de arame estende-se até perder de vista. Do outro lado do arame, o chão é arenoso e seco, existem uns barracões espalhados por toda a área e ainda se conseguem avistar uns montes fumegantes. Estranhamente, todas as pessoas que residem do outro lado da vedação usam um pijama às riscas.

Bruno adora fazer explorações e, uns tempos depois, cansado de estar em casa sem nada para se entreter, decide ir explorar a vedação, apesar de não ter permissão para se aproximar desta.

Depois de algum tempo a caminhar, exausto e esfomeado, decide regressar a casa e encerrar as explorações, mas nesse momento Bruno vislumbra um pequeno ponto ao longe e vai ao encontro dele. Quando já está suficientemente próximo, descobre que, na verdade, é um rapaz que se encontra sentado do outro lado da vedação e usa um pijama às riscas, vestuário comum a todas as pessoas daquele lado da vedação.

Bruno aproxima-se cautelosamente e repara que o rapaz é muito magro, além de estar descalço, ter uma expressão muito triste e uma cor de pele estranhamente cinzenta.

O rapaz diz-lhe que se chama Shmuel e, a partir desse momento, Bruno vai visitá-lo todos os dias, levando-lhe algo para comer, ignorando que é a única comida que ele come, que Shmuel é maltratado física e psicologicamente, que ninguém é feliz daquele lado da vedação, que os montes fumegantes que distingue da janela do seu quarto são, na realidade, montes de corpos a arder, que é o melhor amigo de uma pessoa que, segundo as leis do regime Nazi, deveria odiar e desconhecendo que aquele lugar horrível, onde são infligidas crueldades impensáveis a adultos, crianças e idosos, só por causa do ódio de um psicopata, é dirigido pelo seu pai.

No fim, Bruno e Shmuel acabam por morrer, e os leitores interrogar-se-ão: "Os dois?! O Bruno, também?! Quanto ao Shmuel, já era previsível, mas o filho de um comandante nazi?!...".

Bruno podia ser filho de um homem mau e desumano, mas tinha um coração puro e morreu para ajudar o seu melhor amigo, ignorando barreiras, linhas divisórias, lados opostos, separações, as ameaças do “arame farpado”…

Mais uma vez, as crianças dão belíssimas lições aos adultos… Que pena estes nem sempre estarem dispostos a aprender!

 

Ana Filipa Gonçalves Lopes, 8º 2



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